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Cavalhadas em Pirenópolis
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O sagrado e o profano; a realeza e o popular; a diversidade e a singularidade. Anos e anos de fé e dedicação fizeram da Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, estado de Goiás, a mais rica expressão da religiosidade popular cristã da cidade, onde os moradores se preparam durante um ano inteiro para festejar e participar da histórica celebração. Todos os rituais da festa serão apresentados ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que estará reunido hoje, dia 15 de abril, no Rio de Janeiro, com a proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan para registrar a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis como patrimônio cultural nacional. Depois do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, em outubro de 2005, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é a primeira manifestação religiosa encaminhada à análise do Conselho Consultivo para registro como Patrimônio Cultural Brasileiro, com inscrição no Livro das Celebrações. Os festejos em Pirenópolis A Festa do Divino de Pirenópolis é realizada anualmente desde 1819, data do primeiro registro na lista local de imperadores. Desde então, ano após ano, essa listagem é atualizada e publicada na programação da festa. É considerada uma das mais expressivas celebrações do Espírito Santo no país, especialmente pelo grande número de seus rituais, personagens e componentes, como as cavalhadas de mouros e cristãos e os mascarados montados a cavalo. Enraizada no cotidiano dos moradores de Pirenópolis, a Festa do Divino determina os padrões de sociabilidade local, consolidando-se como elemento fundamental da identidade cultural da cidade. Os rituais têm início no domingo de Páscoa e seguem até o domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi. O clímax da festa é no Domingo de Pentecostes ou do Divino. Os elementos essenciais incluem as Folias da Roça e da Rua, a coroa, as cerimônias e rituais do Império, com alvoradas, cortejos do Imperador, novena, jantares, cafés, missas cantadas, levantamento do mastro, queima de fogos, distribuição de “verônicas”, sorteio e coroação do novo Imperador. Já as Cavalhadas encenam batalhas medievais entre mouros e cristãos – em honra do Imperador e do Espírito Santo. Elas começam no domingo de Pentecostes e vão até terça-feira à noite, quando rezam ao Divino e descarregam as armas, encerrando o Império. A festa é aberta no sábado pelos Mascarados – onças, capetas, caveiras, bois com grandes chifres e monstros – que ao meio-dia anunciam a abertura da festa na véspera de Pentecostes. Eles circulam pela cidade e no Campo das Cavalhadas, no intervalo das encenações. Outras expressões e rituais agregados à Festa são o Reinado de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, a encenação de dramas e operetas, do auto natalino As Pastorinhas, os ranchões dançantes e a feira livre. A Cavalhadinha é uma celebração realizada por crianças de até 12 anos e reproduz todos os rituais da festa, menos as folias. Assim, brincando, as novas gerações aprendem os valores e referências da identidade cultural dos pirenopolinos, garantindo a continuidade da Festa do Divino. Medidas de Salvaguarda A pesquisa realizada pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan constatou que a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis apresenta todos os pressupostos que permitem entendê-la como um “fato social total”. É um sistema de produção e circulação de bens e de dádivas baseados na reciprocidade, interferindo em todas as dimensões da vida social local. A própria comunidade descreve a festa como “patrimônio de valor inestimável” e investe na manutenção da tradição. No entanto, o Iphan detectou o risco de alguns problemas pontuais, como a possibilidade do impacto negativo com a utilização da Festa apenas como atrativo turístico. Desta forma, as medidas de salvaguarda visam enfrentar os problemas que possam ameaçar a manifestação cultural. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural A reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural será realizada hoje, dia 15 de abril, às 14h, no Salão Portinari, que fica no Palácio Gustavo Capanema, sede do Iphan no Rio de Janeiro. Nesta data, além do registro da Festa do Divino de Pirenópolis, está na pauta, também, o tombamento do centro histórico de Serra do Navio, no Amapá. O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro, presidido por Luiz Fernando de Almeida, presidente do Iphan, é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros de instituições como Ministério do Turismo, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, Ministério da Educação, Sociedade Brasileira de Antropologia e Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e da sociedade civil. |