Delúbio Soares, ex-petista e tesoureiro nacional do partido, completou sábado (17) 54 anos de vida na Fazenda Barreirinho, nas proximidades do município de Buriti Alegre (192 km de Goiânia). O termo ex-petista deve ser reavaliado ao longo do texto, como se perceberá. É que a festa de Delúbio tinha mais petistas que muitos encontros do próprio partido. E com defesa acalorada pela volta de um dos principais articuladores da legenda, expurgado em um momento de tensão ocasionado pelo episódio do “mensalão”. A volta de Delúbio é questão de tempo, disseram vários articuladores do partido que estavam presentes na celebração. A nomeclatura partidária para o militante é “esperar”. Delúbio recebeu o abraço do vice-prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), do deputado Álvaro Guimarães (PR), Misael Oliveira (PDT), e Luis Cesar Bueno (PT), dos vereadores Fábio Tokarski (PCdoB), Djalma Araújo (PT) e Gari Negro Jobs (PSL) e de diversos prefeitos da região de Buriti Alegre e Goiatuba, além de gestores públicos, como a secretária Neyde Aparecida (Sedem, de Goiânia) e lideranças sem mandato – caso do ex-vereador Euler Ivo (PDT). Durante o dia, chegaram e partiram da fazenda distintos políticos de Goiás – todos inconformados com a situação de banimento do ex-petista. O ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi hipotecou apoio ao goiano “petista”: “É um grande companheiro. Não sei se é certo julgarem ele dessa forma. Acho que não devemos julgar se não desejamos ser julgados”. Além de Darci, um túnel do tempo do PT e da esquerda goiana se abriu durante a festa, embaixo de enorme tenda branca. Sairam dele, por exemplo, Sandra Cabral, antiga companheira do movimento sindical goiano dos anos 1980 que tem hoje a chancela de Delúbio Soares no governo federal. Durante a festa, uma dupla cantava músicas do pop rock a sertanejos – a exata mistura de Delúbio, que viveu entre Goiás e São Paulo a maior parte de sua vida profissional. Nas mesas, amigos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e muitos moradores da região folheavam uma revista sobre a trajetória do militante. A fazenda é uma sede rústica, que recebe toda a atenção do pai do petista, homem do campo e símbolo de retidão entre os nativos. Cerca de três mil pessoas devem ter visitado Delúbio durante o sábado sem chuva e de calor intenso. Ônibus trouxeram caravanas de amigos para abraçar o “petista”, que não ficava quieto um só minuto. Jobs disse que se deslocou de Goiânia apenas para abraçar pelo aniversário e agradecer o artigo escrito por Delúbio (O gari, aquele que embeleza a cidade publicado em agosto no DM). “No texto ele faz referências ao profissional gari e a minha pessoa. É um grande amigo e acredito que enfrentará bem todas as injustiças”, disse. Marcus Vinícius Felipe, presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), trouxe um presente enviado pelo governador Alcides Rodrigues. “É uma camisa social. Não podia ser de outra cor: vermelha”, disse. O prestígio do “petista” deve ser medido pela popularidade na região. É notório que a prefeitura de Buriti Alegre é comandada por petista (João Alfredo) e que todo o território admira o ex-tesoureiro do PT. “Ele é uma reserva moral do partido, um dos homens que mais dedicaram a vida ao PT. Acredito que será questão de tempo a sua volta”, disse Antônio Faleiros, empresário da região e amigo desde a década de 1980. Laisy Moriere, secretária nacional das mulheres do PT, afirma que existirá um momento político para a volta de Delúbio ao partido. “Pega a história dele e observa. Ele tem uma rede de amigos e sua exclusão não foi fruto de uma decisão de todos, mas de uma parcela do partido. Foi tudo rápido. A imprensa exigiu isso e o partido se sentiu pressionado a fazer o que fez”, diz a militante do PT. Teresa Sousa, secretária executiva da Secretaria da Mulher do governo federal, diz que não concebe a legenda sem o militante goiano. “O Delúbio está no coração do partido. Veja aquela mesa ali, é uma mesa de companheiros do Rio de Janeiro. E todos acreditam na permanência de Delúbio”, disse.
Fonte:DM |